terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Fábula: O Cachorro e a sua Sombra

Um cachorro, em uma ponte sobre um riacho carregando um pedaço de carne na boca, viu sua própria imagem refletida na água.
Vendo isso, ele pensa que se trata de outro cachorro carregando um pedaço de carne maior que o seu.
Então ele larga seu pedaço, e disposto a tomar-lhe a carne que julgava ser maior que a sua, ferozmente se atira sobre o animal refletido na água.
Agindo assim ele perdeu ambos. Aquele que tentou pegar na água já que era apenas um reflexo, e o seu próprio, que ao cair no riacho foi arrastado pela correnteza.
Autor: Esopo
Moral da História:Quem desiste do certo em troca de algo duvidoso é um tolo e duas vezes imprudente.

Fábula: A Mula

Uma mula, sempre folgada, pelo fato de não trabalhar e ainda assim receber uma generosa quantidade de milho como ração, vivia orgulhosa dentro do curral.
Era pura vaidade, comportava-se como se fosse o mais importante animal do grupo. E confiante, falava consigo mesma:
_Meu pai certamente foi um grande e belo Raça Pura. Sinto-me orgulhosa por ter herdado toda sua graciosidade, resistência, espírito e beleza.
Pouco tempo depois, ao ser levada à uma longa jornada, como simples animal de carga, cansada de tanto caminhar, exclama desconsolada:
_Talvez tenha cometido um erro de avaliação. Meu pai, pode ter sido apenas um simples Burro de Carga.

Autor: Esopo
Moral da História: Ao desejar ser aquilo que não somos, estamos plantando dentro de nós a semente da frustração.

domingo, 27 de janeiro de 2008

As doze princesas

Era uma vez um rei que tinha doze filhas muito lindas.
Dormiam em doze camas, todas no mesmo quarto; e quando iam para a cama, as portas do quarto eram trancadas a chave por fora.
Pela manhã, porém, os seus sapatos apresentavam as solas gastas, como se tivessem dançado com eles toda a noite; ninguém conseguia descobrir como acontecia isso.
Então, o rei anunciou por todo o país que se alguém pudesse descobrir o segredo, e saber onde as princesas dançavam de noite,casaria com aquela de quem mais gostasse e seria o seu herdeiro do trono; mas quem tentasse descobrir isso, e ao fim de três dias e três noites não o conseguisse, seria morto.
Apresentou-se logo o filho de um rei. Foi muito bem recebido e a noite levaram-no para o quarto ao lado daquele onde as princesas dormiam nas suas doze camas.Ele tinha que ficar sentado para ver onde elas iam dançar; e,para que nada se passasse sem ele ouvir, deixaram-lhe aberta a porta do quarto.
Mas o rapaz daí a pouco adormeceu; e, quando acordou de manhã, viu que as princesas tinham dançado de noite, porque as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos.
O mesmo aconteceu nas duas noites seguintes e por isso o rei ordenou que lhe cortassem a cabeça. Depois dele vieram vários outros; nenhum teve melhor sorte, e todos perderam a vida da mesma maneira.
Um ex-soldado, que tinha sido ferido em combate e já não mais podia guerrear, chegou ao país. Um dia, ao atravessar uma floresta, encontrou uma velha, que lhe perguntou aonde ia.
— Quero descobrir onde é que as princesas dançam, e assim,mais tarde, vir a ser rei.
— Bem - disse a velha, - isso não custa muito. Basta que tenhas cuidado e não bebas do vinho que uma das princesas te trouxer à noite. Logo que ela se afastar, deves fingir estar dormindo profundamente.
E, dando-lhe uma capa, acrescentou:
— Logo que puseres esta capa tornar-te-ás invisível e poderás seguir as princesas para onde quer que elas forem.
Quando o soldado ouviu estes conselhos, foi ter com o rei, que ordenou lhe fossem dados ricos trajes; e, quando veio a noite,conduziram-no até o quarto de fora. Quando ia deitar-se, a mais velha das princesas trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o soldado entornou-a toda sem ela o perceber. Depois estendeu-se na cama, e daí a pouco pôs-se a ressonar como se estivesse dormindo.
As doze princesas puseram-se a rir, levantaram-se, abriram as malas, e,vestindo-se esplendidamente, começaram a saltitar de contentes,como se já se preparassem para dançar. A mais nova de todas,porém, subitamente preocupada, disse:
— Não me sinto bem. Tenho certeza de que nos vai suceder alguma desgraça.
— Tola! - replicou a mais velha. Já não te lembras de quantos filhos de rei nos têm vindo espiar sem resultado? E,quanto ao soldado, tive o cuidado de lhe dar a bebida que o fará dormir.
Quando todas estavam prontas, foram espiar o soldado, que continuava a ressonar e estava imóvel. Então julgaram-se seguras;e a mais velha foi até a sua cama e bateu palmas: a cama enfiou-se logo pelo chão abaixo, abrindo-se ali um alçapão. O soldado viu-as descer pelo alçapão, uma atrás das outra. Levantou-se, pôs a capa que a velha lhe tinha dado, e seguiu-as.No meio da escada,inadvertidamente, pisou a cauda do vestido da princesa mais nova,que gritou às irmãs:
— Alguém me puxou pelo vestido!
—Que tola! - disse a mais velha. Foi um prego da parede.
Lá foram todas descendo e, quando chegaram ao fim, encontraram-se num bosque de lindas árvores. As folhas eram todas de prata e tinham um brilho maravilhoso. O soldado quis levar uma lembrança dali, e partiu um raminho de uma das árvores.Foram ter depois a outro bosque, onde as folhas das árvores eram de ouro; e depois a um terceiro, onde as folhas eram de diamantes.E o soldado partiu um raminho em cada um dos bosques. Chegaram finalmente a um grande lago; à margem estavam encostados doze barcos pequeninos, dentro dos quais doze príncipes muito belos pareciam à espera das princesas.
Cada uma das princesas entrou em um barco, e o soldado saltou para onde ia a mais moça. Quando iam atravessando o lago, o príncipe que remava o barco da princesa mais nova disse:
_Não sei por que é, mas apesar de estar remando com quanta força tenho, parece-me que vamos mais devagar do que de costume. O barco parece estar hoje muito pesado.
—Deve ser do calor do tempo, disse a jovem princesa.
Do outro lado do lago ficava um grande castelo, de onde vinha um som de clarins e trompas. Desembarcaram todos e entraram no castelo, e cada príncipe dançou com a sua princesa; o soldado invisível dançou entre eles, também; e quando punham uma taça de vinho junto a qualquer das princesas, o soldado bebia-a toda, de modo que a princesa, quando a levava à boca, achava-a vazia. A mais moça assustava-se muito, porém a mais velha fazia-a calar.
Dançaram até as três horas da madrugada, e então já os seus sapatos estavam gastos e tiveram que parar. Os príncipes levaram-nas outra vez para o outro lado do lago. mas desta vez o soldado veio no barco da princesa mais velha e, na margem oposta despediram-se, prometendo voltar na noite seguinte.
Quando chegaram ao pé da escada, o soldado adiantou-se às princesas e subiu primeiro, indo logo deitar-se.As princesas, subindo devagar, porque estavam muito cansadas, ouviam-no sempreressonando, e disseram:
—Está tudo bem.
Depois despiram-se, guardaram outra vez os seus ricos trajes, tiraram os sapatos e deitaram-se.
De manhã o soldado não disse nada do que tinha visto, mas desejando tornar a ver a estranha aventura, foi ainda com as princesas nas duas noites seguintes.
Na terceira noite, porém, o soldado levou consigo uma das taças de ouro como prova de onde tinha estado.Chegada a ocasião de revelar o segredo, foi levado à presença do rei com os três ramos e a taça de ouro. As doze princesas puseram-se a escutar atrás da porta para ouvir o que ele diria. Quando o rei lhe perguntou:
—Onde é que as minhas doze filhas gastam seus sapatos de noite?
Ele respondeu:
—Dançando com doze príncipes num castelo debaixo da terra.
Depois contou ao rei tudo o que tinha sucedido, e mostrou-lhe os três ramos e a taça de ouro que trouxera consigo.O rei chamou as princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o soldado tinha dito. Vendo que seu segredo havia sido descoberto,elas confessaram tudo.
O rei perguntou ao soldado com qual delas ele gostaria de casar.
—Já não sou muito novo - respondeu - por isso quero a mais velha.
Casaram-se nesse mesmo dia e o soldado tornou-se herdeiro do trono.
Quanto às outras princesas, seus bailes no castelo encantado e os buracos nas solas dos sapatos...
Ah, elas continuam dançando até hoje...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Lenda: Como Surgiu a Noite

No começo do mundo só havia o dia. A noite estava adormecida nas profundezas do rio com Boiúna, cobra grande que era senhora do rio.
A filha de Boiúna, uma bela tinha se casado com um rapaz de um vilarejo nas margens do rio. Seu marido, um jovem muito bonito, não entendia porque ela não queria dormir com ele.
A filha de Boiúna respondia sempre:
- É porque ainda não é noite.
- Mas não existe noite. Somente dia! - ele respondia.
Até que um dia a moça disse-lhe para buscar a noite na casa de sua mãe Boiúna. Então, o jovem esposo mandou seus três fiéis amigos ir pegar a noite nas profundezas do rio.
Boiúna entregou-lhes a noite dentro de um caroço de tucumã, como se fosse um presente para sua filha.
Os três amigos estavam carregando a tucumã quando começaram a ouvir barulho de sapinhos e grilos que cantam à noite. Curiosos, resolveram abrir a tucumã para ver que barulho era aquele. Ao abri-la, a noite soltou-se e tomou conta de tudo.
De repente, escureceu.
A moça, em sua casa, percebeu o que os três amigos fizeram. Então, decidiu separar a noite do dia, para que esses não se misturassem.
Pegou dois fios. Enrolou o primeiro, pintou-o de branco e disse:
- Tu serás cujubin, e cantarás sempre que a manhã vier raiando.
Dizendo isso, soltou o fio, que se transformou em pássaro e saiu voando.
Depois, pegou o outro foi, enrolou-o, jogou as cinzas da fogueira nele e disse:
- Tu serás coruja, e cantarás sempre que a noite chegar.
Dizendo isso, soltou-o, e o pássaro saiu voando.
Então, todos os pássaros cantaram a seu tempo e o dia passou a ter dois períodos: manhã e noite.

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sábado, 19 de janeiro de 2008

Fábula: O Pastorzinho e o Lobo











Todos os dias, um jovem pastor levava um rebanho de ovelhas às montanhas perto da aldeia. Um dia, por brincadeira, ele correu de lá de cima gritando:
- Um lobo! Um lobo!
O Habitantes da aldeia trataram de apanhar pedaços de pau para caçar o lobo. E encontraram o pastorzinho às gargalhadas, dizendo:
- Eu só queria brincar com vocês!
E, vendo que a brincadeira realmente assustava os aldeões, gritou no dia seguinte:
- Um lobo!
E novamente os moradores da aldeia trataram de apanhar suas armas de madeira.
Tant
as vezes o fez que a gente da aldeia não prestava mais atenção aos seus gritos. Mais uns dias e ele volta a gritar:
- Um lobo! Um lobo! Socorram-me!
Um dos homens disse aos outros:
- Já não acredito. Ele não nos engana mais.
E era de fato um lobo, que dizimou todo o rebanho do pastorzinho.


Esopo
Ninguém acredita num mentiroso, mesmo quando ele diz a verdade.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Patinho Feio

Mamãe Pata escolheu um lugar ideal para fazer seu ninho: lá embaixo, no vale, bem escondido pela grama alta. Ela deitava-se nele, toda feliz, aquecendo os ovinhos.
E esperava com paciência que seus patinhos saíssem da casca. Por fim, após a longa espera, os ovos se abriram um após o outro...
Foi uma alegria doida no ninho. Craque! Craque! Os ovinhos começaram a abrir...
Os patinhos, um a um, foram pondo suas cabecinhas pra fora, ainda com as peninhas molhados. No meio da ninhada, havia um patinho meio estranho, bem diferente dos outros.
Uma pata gorda, a linguaruda do quintal, foi logo dizendo:
- Mas o que é isso? É uma ave grande, feia e cinzenta!!!
Mamãe Pata ficou triste com o comentário da linguaruda.

E ela falou:
- Não vejo nada de errado com o meu patinho!
- Eu vejo - disse a linguaruda, completando - Nenhum dos outros patinhos é assim!
Alguns dias depois, Mamãe Pata foi se balançando lá para as águas do lago, com os patinhos atrás. Plaft! Ela pulou na água - e um por um, os patinhos pularam também. Nadaram que foi uma beleza. Até o patinho feio nadou com eles...
Depois, eles foram para o cercado dos patos. Os outros patos pararam e disseram:
- Olha só, ai vem outra ninhada - como se nós fôssemos poucos!
Coitado do patinho feio.
- Feio não! Horroroso! - gritava a pata gorda pra todo mundo.
Mamãe Pata sempre vinha defender o seu patinho feio. Xingava todas as aves que implicava com patinho, mas de nada adiantava.
A pata gorda foi logo dizendo:
- E como é feio o patinho do fim da fila! Olha só como anda todo desengonçado. Nós não queremos essa cosa feia aqui perto dos nossos filhos! Vai acabar pegando feiúra em todo mundo!
Um por um, todos os patinhos olharam o patinho feio com ar de desprezo. Beliscaram do seu pescoço e depois o empurraram para fora do cercado, até as galinhas vieram para ver o que estava acontecendo e seus pintinhos começaram a implicar com o patinho feio.

Cada vez mais os bichos caçoavam de seu filhinho. Todo dia era a mesma coisa. Era muito difícil para o patinho feio escapar das gozações e implicâncias.
Aí, chegou o inverno. Os dias iam esfriando e o patinho feio teve que nadar na água gelada porque tudo era gelo em volta dele. Ninguém veio dar carinho pra ele, a não ser sua mãe, ele, muito triste, comeu muito pouquinho e ficou muito fraco. Poucas penas cresceram pelo seu corpo magrelo. Ficou de corpo encurvado e pescoço pelado. até parceria que a natureza estava contra ele naquele inverno.
Mas com a primavera, quando o sol começou a brilhar quente outra vez, o patinho feio sentiu que suas asas estavam mais fortes.
Poderia sair dali. Ir para bem longe. Disse para si mesmo:
- Ninguém sentirá a minha falta, não ser minha mãe. Mas também será um alívio pra ela. Não precisará brigar com meus irmãos por causa de mim. Acho que, se eu for embora, todo mundo vai gostar.
E decidido, o patinho feio bateu as asas e saiu voando. Foi voando, voando, voando... voaaaando... ficando mais distante da sua terra natal.
Lá longe viu que tinha chegado a um grande jardim. Três lindos cisnes estavam nadando num lago. O Patinho feio ficou olhando horas e horas a fio os cisnes. Bem baixinho, resmungou:
- Eu queria ficar por aqui só pra ser amigo deles. São tão bonitos. Mas é capaz deles não quererem porque eu sou muito feio. E f
icou nesta indecisão... Até que teve coragem e disse:
- Mas não faz mal. Tenho que tentar. Se eu não tentar nunca ficarei sabendo se eles vão ou não vão me aceitar.
Então ele voou para a água e nadou bem ligeiro até os cisnes. Mas foi uma surpresa quando ele olhou para baixo, para o espelho da água e viu seu corpo refletido nela.
Que surpresa! Sua imagem nada tinha a ver com aquele patinho feio, cinzento e desajeito que um dia tinha partido da sua terra natal.

Na verdade, agora ele era tão branco e elegante como os cisnes. Sim, ele era um cisne. Pousou nas águas cristalinas do lado e nadou feliz da vida! Todo orgulhoso, não deixava de olhar sua imagem refletida na água. Era um lindo e elegante cisne que nadava pelo lago, junto de outros cisnes.
As criancinhas chegaram no jardim e gritaram:
- Chegou um cisne novo! - exclamou a menina.
- Olha só como ela nada bonito - comentou o menino de boné.
A menina voltou a exclamar:
- Este que chegou agora é o mais lindo de todos!

O Patinho feio, que não era mais patinho feio, mas um novo cisne, ficou até meio envergonhado com os comentários das crianças e virou a cabecinha para o lado; mas ele estava muito feliz. Agitou as asas, curvou o pescoço fino e disse:
-Quando eu era um patinho feio nunca sonhei com tanta felicidade!
Lembrou-se de tudo o que sofrera e deu graças a Deus por ser agora tão feliz!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Fábula: A Raposa e as Uvas

Uma Raposa, morta de fome, viu alguns cachos de Uvas negras e maduras, penduradas nas grades de uma viçosa videira.
Ela então usou de todos os seus dotes e artifícios para alcançá-las, mas acabou se cansando em vão, pois nada conseguiu.
Por fim deu meia volta e foi embora, e consolando a si mesma, meio desapontada disse:
- Olhando com mais atenção, percebo agora que as Uvas estão estragadas, e não maduras como eu imaginei a princípio.

Autor: Esopo

Moral da História: Para uma pessoa vaidosa é difícil reconhecer as próprias limitações, abrindo assim caminho para as desventuras.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Lenda da Vitória Régia

Diz-se que nas noites de luar, a Lua desce à Terra para se casar com uma índia.
Esta crença existia na época em que as nossas terras eram povoadas por tribos indígenas, onde o masculino e o feminino não existiam como figuras determinadas nas lendas indígenas. A Lua, para eles, era um guerreiro audacioso, valente, forte e belo. As jovens índias queriam conquistar o seu amor para se transformarem em estrelas no céu.
Houve uma índia chamada Naiá, que sonhava com esse maravilhoso guerreiro. Passava as noites observando o luar, fascinada com seus raios que banhavam seu corpo, parecendo os braços forte do amado.
Muitas vezes, Naiá corria pelos campos, com os braços estendidos, tentando alcançar a Lua, mas jamais conseguia.
Certa noite, doente de paixão, Naiá viu surgir com todo esplendor a Lua refletida nas águas de um rio. Não pensou duas vezes: imaginando que o amado aparecia para atender aos seus chamados, Naiá atirou-se em seus braços e acabou morrendo no fundo do rio.
A Lua, por sua vez ficou com pena de tamanha tragédia que, ao invés de transformar a pobre moça numa estrela , achou melhor transformar a indiazinha em uma flor tão bela quanto imensa.
Assim é que, transformada em Vitória Régia Naiá aguarda todas as noites seu guerreiro amado, e quando a Lua surge, abre suas enormes pétalas oferecendo sua corola para receber os raios prateados do amado.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Os Músicos de Bremen

Um homem tinha um burro que, há muito tempo, carregava sacos de milho para o moinho. O burro, porém, já estava ficando velho e não podia mais trabalhar. Por isso, o dono tencionava vendê-lo. O pobre animal, sabendo disso, ficou muito preocupado, pois não podia imaginar como seria seu novo dono... e então, para evitar qualquer surpresa desagradável, pôs-se a caminho da cidade de Bremen.
- Certamente, poderei ser músico na cidade- pensava ele.
Depois de andar um pouco, encontrou um cão deitado na estrada, arfando de cansaço.
- Por que estás assim tão fatigado? perguntou o burro.
- Amigo, já estou ficando velho e, a cada dia, vou ficando mais fraco. Não posso mais caçar; por isso meu dono queria me entregar à carrocinha. Então, fugi, mas não sei como ganhar a vida.
- Pois bem, lhe disse o burro. Minha história é bem semelhante à sua. Vou tentar a vida como músico em Bremen. Venha comigo. Eu tocarei flauta e você poderá tocar tambor.
O cão aceitou o convite e seguiu com o burro. Não tinham andado muito, quando encontraram um gato, muito triste, sentado no meio do caminho.
- Que tristeza é essa, companheiro? lhe perguntaram os dois
- Como posso estar alegre, se minha vida está em perigo? respondeu o gato. Estou ficando velho e prefiro estar sentado junto ao fogo, em vez de caçar ratos. Por esse motivo, minha dona quer me afogar.
- Ora, venha conosco a Bremen, propuseram os outros. Seremos músicos e ganharemos muito dinheiro.
O gato, depois de pensar um pouco, aderiu e acompanhou-os. Foram andando até que encontraram um galo, cantando tristemente, trepado numa cerca.
- Que foi que lhe aconteceu, amigo? perguntaram os três.
- Imaginem, respondeu o galo, que amanhã a dona da casa vai ter visitas para o jantar. Então, sem dó nem piedade, ordenou ao cozinheiro que me matasse para fazer uma canja.
Os outros, então, lhe propuseram:
- Nós vamos a Bremen, onde nos tornaremos músicos. Você tem boa voz. Que tal se nos reunissemos para formar um conjunto?
O galo gostou da idéia e juntando-se aos outros seguiram caminho.
A cidade de Bremen ficava muito distante e eles tiveram que parar numa floresta para passar a noite. O burro e o cão deitaram-se em baixo de uma árvore grande. O gato e o galo alojaram-se nos galhos da árvore.O galo, que se tinha colocado bem no alto, olhando ao redor, avistou uma luzinha ao longe, sinal de que deveria haver alguma casa por ali.
Disse isso aos companheiros e todos acharam melhor andar até lá, pois o abrigo ali não estava muito confortável. Começaram a andar e, cada vez mais, a luz se aproximava. Afinal, chegaram à casa. O burro, como era o maior, foi até a janela e espiou por uma fresta. À volta de uma mesa, viu quatro ladrões que comiam e bebiam. Transmitiu aos amigos o que tinha visto e ficaram todos imaginando um plano para afastar dali os homens.
Por fim, resolveram aproximar-se da janela. O burro colocou-se de maneira a alcançar a borda da janela com uma das patas. O cão subiu nas costas do burro. O gato trepou nas costas do cão e o galo voou até ficar em cima do gato. Depois, a um sinal combinado, começaram a fazer sua música juntos: o burro zurrava, o cão latia, o gato miava e o galo cacarejava. A seguir, quebrando os vidros da janela, entraram pela casa a dentro, fazendo uma barulhada medonha.
Os ladrões, pensando que algum fantasma havia surgido ali, saíram correndo para a floresta. Os quatro animais sentaram-se à mesa, serviram-se de tudo e procuraram um lugar para dormir. O burro deitou-se num monte de palha, no quintal; o cão, junto da porta, como a vigiar a casa; o gato, junto ao fogão, e o galo encarapitou-se numa viga do telhado. Como estavam muito cansados, logo adormeceram. Um pouco além da meia noite, os ladrões, verificando que a luz não brilhava mais dentro da casa, resolveram voltar. O chefe do bando disse aos demais:
- Não devemos ter medo!
E mandou que um entrasse primeiro para examinar a casa. Chegando à casa, o homem dirigiu-se à cozinha para acender um vela. Tomando os olhos do gato, que brilhavam no escuro, por brasas, tentou neles acender um fósforo. O gato, entretanto, não gostou da brincadeira e avançou para ele, cuspindo-o e arranhando-o. Ele tomou um grande susto e correu para a porta dos fundos, mas o cão, que lá estava deitado, mordeu-lhe a perna. O ladrão saiu correndo para o quintal, mas, ao passar pelo burro, levou um coice. O galo, que acordara com o barulho, cantou bem alto:
- Có, có, ró, có!!!!
Sempre a correr, o ladrão foi se reunir aos outros, a quem contou:
- Lá dentro há uma horrível bruxa que me arranhou com suas unhas afiadas e me cuspiu no rosto. Perto da porta, há um homem mau que me passou um canivete na perna. No quintal, há um monstro escuro, que me bateu com um pedaço de pau. Além disso tudo, no telhado está sentado um juiz, que gritou bem alto: - Traga aqui o patife!!! - ... Acho que não devemos voltar lá... é muito perigoso!!
Depois disso, nunca mais os ladrões voltaram à casa, e os quatro músicos de Bremen sentiam-se muito bem lá, onde faziam suas músicas e viviam despreocupados. De vez em quando alguém das redondezas os chamavam e lá iam eles, felizes e contentes, tocar a sua música...
Os Músicos de Bremen de Jakob e Wilhelm Grimm, numa adaptação do Livro Contos de Fadas

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Fábula: O Cervo e o Leão

O Um cervo com sede foi atrás de uma fonte. Ao se abeberar, viu seu reflexo na água. Ao mesmo tempo que tinha orgulho dos chifres que se esgalhavam, mortificava-se com as pernas finas e frágeis. Ao ver surgir um leão, parou de pensar.
A perseguição começou.
O cervo levou vantagem por se distanciar muito do leão, pois a força dos cervos está nas pernas e a dos leões no coração.
Enquanto estava em campo aberto, o cervo manteve uma distância salvadora.
Mas, ao entrar num bosque, os chifres se emaranharam nos galhos das árvores: interrompida a fuga, ele caiu nas garras do leão.
Quando estava morrendo, disse a si mesmo:
- Pobre de mim! Eu achava que minhas pernas me atrapalhavam e foram elas que me salvaram; acreditava em meus chifres e eles me traíram. Assim acontece muitas vezes, quando o perigo nos ronda. O amigo em quem não acreditávamos nos salva, e aquele com quem contávamos nos trai.
(Autor: Esopo)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Lenda do Ano Novo


A primeira comemoração, chamada de "Festival de ano-novo" ocorreu na Mesopotâmia por volta de 2.000 a. C. Na Babilônia, a festa começava na ocasião da lua nova indicando o equinócio da primavera, ou seja, um dos momentos em que o Sol se aproxima da linha do Equador onde os dias e noites tem a mesma duração.
No calendário atual, isto ocorre em meados de março (mais precisamente em 19 de março, data que os espiritualistas comemoram o ano-novo esotérico).
Os assírios, persas, fenícios e egípcios comemoravam o ano-novo no mês de setembro (dia 23). Já os gregos, celebravam o início de um novo ciclo entre os dias 21 ou 22 do mês de dezembro.
Os romanos foram os primeiros a estabelecerem um dia no calendário para a comemoração desta grande festa (753 a.C. - 476 d.C.) O ano começava em 1º de março, mas foi trocado em 153 a. C. para 1º de janeiro e mantido no calendário juliano, adotado em 46 a. C. Em 1582 a Igreja consolidou a comemoração, quando adotou o calendário gregoriano.
Alguns povos e países comemoram em datas diferentes. Ainda hoje, na China, a festa da passagem do ano começa em fins de janeiro ou princípio de fevereiro. Durante os festejos, os chineses realizam desfiles e shows pirotécnicos. No Japão, o ano-novo é comemorado do dia 1º de janeiro ao dia 3 de janeiro.
A comunidade judaica tem um calendário próprio e sua festa de ano-novo ou Rosh Hashaná, - "A festa das trombetas" -, dura dois dias do mês Tishrê, que ocorre em meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano. Para os islâmicos, o ano-novo é celebrado em meados de maio, marcando um novo início. A contagem corresponde ao aniversário da Hégira (em árabe, emigração), cujo Ano Zero corresponde ao nosso ano de 622, pois nesta ocasião, o profeta Maomé, deixou a cidade de Meca estabelecendo-se em Medina.
Contagem decrescente os últimos minutos do dia 31 de Dezembro seja: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1. Feliz 2008!!!!!! A passagem de Ano Novo é o fim de um ciclo, início de outro. É um momento sempre cheio de promessas. E os rituais alimentam os nossos sonhos e dão vida às nossas celebrações. Na passagem de Ano Novo, não podemos deixar de aproveitar a oportunidade para enchermos o coração de esperança e começar tudo de novo. E para que a festa corra muito bem, há algumas tradições e rituais que não podemos esquecer...
- Fogos e barulho. No mundo inteiro o Ano Novo começa entre fogos de artifício, buzinadas, apitos e gritos de alegria. A tradição é muito antiga e, dizem, serve para espantar os maus espíritos. As pessoas reúnem-se para celebrar a festa com muitos abraços.- Roupa nova. Vestir uma peça de roupa que nunca tenha sido usada combina com o espírito de renovação do Ano Novo.
O costume é universal e aparece em várias versões, como trocar os lençóis da cama e usar uma roupa de baixo nova.
Por ser tratar de um país cristão, no Brasil costuma-se dar mais importância a Festa do Natal do que a de Ano Novo. Mas o primeiro dia do Ano Novo é considerado o dia da Paz...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Lendas e Contos de Natal

O Natal é a data mais importante do calendário cristão, quando é celebrado o nascimento do Menino Jesus. O Natal é a época do ano em que as pessoas ficam mais cheias de vida, amor, alegria, criando um clima festivo, de paz e fraternidade.
Mas quando falamos sobre Natal, podemos abrir um leque de histórias, contos e tradições, que até hoje são transmitidas de geração a geração.
Para que sua festa fique ainda mais bonita e alegre, vamos contar um pouco sobre as histórias que existem por trás de alguns símbolos e enfeites natalinos, e vamos expor o que eles representam para esta época de harmonia e paz entre amigos e familiares.

Papai Noel ou São Nicolau
Diz a lenda que São Nicolau era um homem muito rico e muito generoso. Conta-se que ele distribuía dinheiro aos pobres e presenteava as crianças que não tinham com o que se alegrar. Faleceu no dia 6 de dezembro, tornando este dia o Dia de São Nicolau. Esta data é muito lembrada e comemorada em alguns países do oriente, onde os pais ainda presenteiam seus filhos fazendo uma referência a São Nicolau. Por causa da proximidade de sua festa com a data do nascimento de Cristo, acabou-se transferindo lentamente a tradição de presentear as crianças para o dia 25 de dezembro. Os pais costumavam dizer que era São Nicolau quem trazia os presentes do céu. São Nicolau foi se tornando um símbolo natalino e o 1º Papai Noel reconhecido pelo mundo.
Sinos
Acredita-se que o som das badaladas dos sinos espantem todas as coisas ruins e atraiam boa sorte e alegria.

Guirlanda
Representa a presença do Menino Jesus na casa. Normalmente é colocada na porta de entrada dos lares, deixando visível que aquela casa esta protegida.
Árvore de Natal
Muitas histórias são contadas sobre a origem da árvore de Natal, mas tudo indica que sua origem é tipicamente alemã. Hoje, ela é um dos símbolos mais expressivos do Natal e as crianças aguardam ansiosas para ajudar os pais a enfeitá-la com flocos de algodão, fitas, luzes e bolas coloridas.
Segundo a lenda, a árvore é a representação de Jesus, que é o tronco, e nós somos os ramos. As bolas e as luzes coloridas representam os frutos por ela produzidos, indicando a nossa caridade e generosidade.
Canções de Natal
A mais popular das músicas da noite de Natal, “Noite Feliz”, foi criada pelo padre Joseph Franz Mohr e pelo professor Franz Xavier Grueber. A letra veio da inspiração do padre, em uma noite estrelada, que ficou imaginando como teria sido a noite em Belém, quando Jesus nasceu. Escreveu a letra em forma de poema, uniu a melodia presenteada pelo compositor Grueber e utilizou-a na Missa do Galo de 1818. Hoje, “Noite Feliz” é cantada em inúmeros idiomas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Lenda do Monte Roraima

Segundo os geógrafos, o Monte Roraima é uma formação da era pré-cambriana. Ele tem 2.875 metros de altitude.
Mas segundo o folclore, o Monte Roraima é muito mais do que isso.
Os índios Macuxi contam que antigamente, no local onde hoje existe o Monte Roraima, existiam apenas terras baixas e alagadiças, cheias de igapó.
As tribos que viviam naquela área não precisavam disputar comida, pois a caça e a pesca eram fartas.
Uma vez, nasceu um belo pé de bananeira. E a árvore era algo inédito na região.
A estranha planta cresceu muito rápido e deu belíssimos e apetitosos frutos.
Os pajés então avisaram que aquele vegetal era na verdade um ser sagrado e que como tal seus frutos eram proibidos para qualquer pessoa da tribo.
Os pajés avisaram ainda que caso alguém desobedecesse a regra e tentasse comer uma fruta daquelas, desgraças terríveis aconteceriam: a caça se tornaria rara, as frutas secariam e até a terra iria tomar um formato diferente. Era permitido comer de tudo, menos os frutos da bananeira sagrada.
Todos passaram a temer e a respeitar as ordens dos pajés. Mas houve um dia em que, ao amanhecer, todos correram para ver com espanto a primeira desgraça de muitas que ainda estavam por vir: um cacho da bananeira havia sido decepado.
Todos se perguntavam, mas ninguém sabia dizer quem poderia ter feito aquilo.
Antes que tivessem tempo para descobrir o culpado, a previsão dos mais velhos começou a acontecer. A terra começou a se mover e os céus tremiam em trovões. Todos os animais, da terra ou do céu, bateram em retirada.
Um dilúvio começou a despencar e um enorme monte começou a brotar rasgando aquelas alagadas terras. E foi assim que nasceu o Monte Roraima.
É por tudo isso que, até os dias de hoje, acredita-se que o monte Roraima chora quando de suas pedras caem pequenas gotas de água cristalina.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Lenda da Lua

A lenda indígena fala da origem da lua.
Manduka namorava sua irmã.
Todas as noites ia deitar com ela, mas não mostrava o rosto e nem falava, para não ser identificado.
A irmã, tentando descobrir quem era, passou tinta de jenipapo no rosto de Manduka.
Manduka lavou o rosto, porém a marca da tinta não saiu.
Então ela descobriu quem era.
Ficou com vergonha, muito brava e chorou muito.
Manduka também ficou com vergonha, pois todos passaram a saber o que ele havia feito.
Então Manduka subiu numa árvore que ia até o céu.
Depois desceu e foi dizer aos Juruna que ia voltar para a árvore e não desceria nunca mais.
Levou uma cutia pra não se sentir muito só.
Aí virou lua.
E é por isso que a lua tem manchas escuras, por causa do jenipapo que a irmã passou em Manduka.
No meio da lua costuma aparecer uma cutia comendo côco. É a outra mancha que a lua tem.

Lenda da Mula-sem-cabeça



É noite de quinta para sexta-feira. O viajante assustado se apressa para chegar ao seu destino. Ele sabe que é noite da Mula-sem-cabeça, bicho amaldioçado, que ataca a tudo e a todos.
Diz a lenda que as mulas-sem-cabeça são mulheres que mantêm casos amorosos com padres católicos, nas cidades do interior do Brasil, e como castigo recebem esta terrível sina.
A mula, que corre sete cidades quando se transforma, ataca sem piedade tudo o que vê pela frente. Ao final da corrida, já de madrugada, cansada e toda ferida, volta a ter sua antiga forma: de mulher.
O encanto só pode ser quebrado por quem lhe causar um ferimento que derrame sangue, mas é necessário que ambos, o homem e o bicho, lutem entre si.
A mula pode ser um animal negro, com uma cruz de cabelos brancos; pode soltar fogo pela cauda e pde carregar um freio ferozmente mastigado na boca espumante de sangue. Em todos os casos, porém, é castigo de amante de padre.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Lenda do Curupira



O curupira é um ser fantástico, que segundo a crença popular, habita em florestas, sua função é a de proteger as plantas e os animais, além de punir quem os agredir.

O curupira é descrito como um menino de estatura baixa, cabelos cor de fogo e pés com calcanhares para frente que confundem os caçadores.

Além disso, dizem que o curupira gosta de sentar nas sombras das mangueiras e se deliciar com os frutos, mas se ele sentir que está sendo vigiado ou ameaçado ele logo começa a correr a uma velocidade tão grande que os olhos humanos não conseguem acompanhar.

Muitos dizem que existem curupiras que se encantam com algumas crianças e a levam embora para longe dos seus pais por algum tempo, mas são devolvidas quando atingem mais ou menos os sete anos de idade.

Com isso, as crianças "seqüestradas" e posteriormente devolvidas, nunca voltam como eram, devido ao fascínio que passam a sentir pela floresta onde viveram.

Para proteger os animais, o curupira usa mil artimanhas, procurando sempre iludir e confundir os caçadores, utilizando gritos, assobios e gemidos, fazendo com que o caçador pense que está atrás de um animal e vá atrás do Curupira, e este faz com que o caçador se perca na floresta.

Ao aproximar uma tempestade, o Curupira corre toda a floresta e vai batendo nos troncos das árvores.

Assim, ele vê se elas estão fortes para agüentar a ventania. Se perceber que alguma árvore poderá ser derrubada pelo vento, ele avisa a bicharada para não chegar perto.

O Curupira também pode encantar os adultos. Em muitos casos contados, o Curupira mundia os caçadores que se aventuram a permanecer no mato nas chamadas horas mortas. O encantado tenta sair da mata, mas não consegue.

Surpreende-se passando sempre pelos mesmos locais e percebe que está na verdade andando em círculos. Em algum lugar bem próximo, o Curupira está lhe observando: "estou sendo mundiado pelo Curupira", pensa o encantado.

Daí só resta uma alternativa: parar de andar, pegar um pedaço de cipó e fazer dele uma bolinha. Deve-se tecer o cipó muito bem, escondendo a ponta de forma que seja muito difícil desenrolar o novelo.

Depois disso, a pessoa deve jogar a pequena bola bem longe e gritar: "quero te ver achar a ponta". A pessoa mundiada deve aguardar um pouco para recomeçar a tentativa de sair da mata.

Diz a lenda que, de tão curioso, o Curupira não resiste ao novelo. Senta e fica lá entretido tentando desenrolar a bola de cipó para achar a ponta. Vira a bola de um lado, de outro e acaba se esquecendo da pessoa de quem malinou. Dessa forma, desfaz-se o encanto e a pessoa consegue encontrar o caminho de casa.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Jeca Tatu

JECA TATUZINHO

de MONTEIRO LOBATO (Adaptação de Maria R. do Amaral)

Jeca morava no sitio. Era solteirão, por isso vivia só. Não totalmente, porque tinha um cão preto, sempre por perto. O apelido de Jeca Tatu advém da maneira como vivia. Caipira assumido e sempre muito sujo. Daí o TATU que é um animal que vive em buracos na terra.
Morava em uma tapera cheia de buracos, onde a lua faz clarão. Também não consertava nada. No quintal só viam um frangainho magricela, um patinho sem mãe e uma leitoazinha que corria por todos os lados em busca de alguma comida.
Jeca, de cócoras, no quintal tomava sol. Não calçava, pois não tinha sapatos. Um chapéu de palhas, camisa xadrez e uma calça surrada.
Plantar? Qual o que. Tinha muita preguiça. Meia dúzia de covas para o plantio do milho, e já entregava a rapadura. Buscar lenha no mato, era outra dificuldade. Vinha sempre com uns poucos gravetos nas costas.
O melhor era descansar. Deitava-se em baixo de una árvore e ferrava no sono. O cãozinho aderira a vida e o caráter do dono. Estirado nas pernas do Jeca dormia a sono solto.
Ah! Mais a marvada da pinga, estava sempre por perto. Era o que atrapalhava e muito.
Um dia passou por ali um médico que ao ver o Jeca, naquele estado de penúria, e amarelo de tanta debilidade física, compadeceu-se dele e pediu para que mostrasse a língua. Logo em seguida disse; Você esta com a língua muito suja. Com certeza está com estômago e intestinos em mau estado. Venha á cidade em meu consultório, que vou providenciar uns exames e ver como está sua saúde.
Jeca foi ao consultório do Doutor e depois e feito alguns exames, o médico concluiu que ele precisava fazer um bom tratamento, alimentar-se melhor e deixar a cachaça.
Além do mais, você precisava andar calçado, pois pela sola dos pés, é que passam os micróbios que danificam a sua saúde. Mostrou através de uma lente de aumento a ação dos micróbios. Jeca ficou abismado com o que ficou sabendo. Até o cãozinho preto do caipira estava de testemunha do que o doutor falava.
Na volta para casa, Jeca passou na farmácia e já mandou aviar a receita Eram algumas vitaminas e Biotônico Fontoura um fortificante porreta. Comprou também algumas frutas e legumes ovos e leite, passando a se tratar melhor.
E não deu outra. O nosso Jeca começou a ficar forte e passando a mão em um machado, cortava lenha em abundância. Depois quando ia ao mato buscar lenha, trazia um belo feixe na cabeça Começou a tomar gosto pela coisa e a sua plantação de milho, feijão e mandioca começou a produzir.
Saia para caçar e não tinha medo de nada. Ouvia a onça rugir e enfrentava a danada com socos e queda de braços. As feras corriam logo, embrenhavam-se pelo mato e Jeca ficava vitorioso no confronto. Sua fama alastrou-se na redondeza.
Ficou gordo e bonitão. Arrumou até casamento.
Fez uma casa maior e bem feita, com varanda e tudo mais. Andava de chapelão e botas. Teve filhos que ele também não deixava que andassem descalços. Pois sabia agora quanto vale a saúde.
Tão compenetrado era, com respeito a isso, que até seus porcos e galinhas, tinham botinas.
Criava porcos em pocilgas bem construídas e duas vezes por ano, levava-os em seu caminhão
Para vende-los no mercado da cidade. Comprou mais terras e formou uma pequena fazenda a quem deu o nome de Fazenda Feliz.
A sua vida, ficou totalmente modificada e para muito melhor. Tinha telefone, e uma TV que via a noite, sentado em uma cadeira de balanço.
A sua casa era bem arrumada, com um relógio que batia as horas.
Enfim, o nosso antigo caipira, era hoje homem de negócios e aos domingos, ia á cidade, cavalgando um belo cavalo alazão, soltando boas baforadas de seu charuto.

Conclusão: O Jeca de outros tempos, agora transformado em seu estado de saúde e progresso financeiro era mesmo um vencedor na vida. Graças a modificação de sua conduta em relação a higiene, a saúde e ao trabalho.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lenda do Boto Rosa


O boto rosa: A água é considerada como presente dado pelos deuses e é símbolo de fertilidade, proteção materna e dá continuidade a toda a vida. Desde os tempos da mitologia grega ela é habitada ou transformada. Na mitologia amazônica encontramos o mito do Boto Rosa que possui a qualidade de emergir das águas do Rio Amazonas à noite e adquirir forma humana. De peixe, transforma-se em um rapaz cuja beleza, fala meiga e sedutora, magnetismo do olhar atraem irresistivelmente todas as mulheres. Por isso, toda a donzela era alertada por suas mães para tomarem cuidado com flertes que recebiam de belos rapazes em bailes ou festas.

Por detrás deles poderia estar a figura do Boto, um conquistador de corações, que pode engravidá-las e abandoná-las.Atribui-se ao boto os inexplicáveis sinais de maternidade de algumas mulheres e ainda o desaparecimento e fuga delas para o fundo do rio.

Contam que em noites de festa, ele se transforma em um rapaz alto, claro, forte,bonito e sempre se apresenta muito bem vestido, usando uma espada na cintura e um chapéu, para ocultar um orifício para respiração que originalmente o animal possui no alto da cabeça.

O boto bebe, dança, seduz as moças interioranas que comparecem as festas de beira de rio. Antes da alvorada, pula na água e volta à sua condição primitiva.

Porém acabando o encanto, na hora que tem de transformar-se em boto, seus acessórios voltam a ser habitantes das águas: a espada é um poraquê, o chapéu é uma arraia e assim por diante.O boto tucuxi, segundo dizem, ajuda os náufragos.

Em uma versão, ajudaria apenas as mulheres, até para manter a fama de conquistador... Noutra, ajuda indiferentemente homens e mulheres. Não são poucas as pessoas que, ao escaparem da morte, atribuem o salvamento ao boto, além de Nossa Senhora de Nazaré.

Contam-se várias histórias em que maridos desconfiados de que alguém estivesse tentando conquistar suas mulheres, armaram uma cilada para pegar o boto.

A cilada geralmente acontece à noite, quando o marido vai à luta com seu rival e consegue feri-lo com uma faca, tiros ou com um arpão... mas o rival, mesmo ferido, consegue fugir e atira-se na água.

No dia seguinte para a surpresa do marido e demais pessoas, aparece o cadáver na beira do rio, com um ferimento de faca, ou de tiros ou ainda com arpão cravado no corpo, conforme a arma utilizada, mas, em vez do cadáver de um homem, o que se vê é, pura e simplesmente... o corpo de um boto.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Fábula: A Cigarra e a Formiga

Estava a cigarra, a cantarolar pelos campos, quando encontrou uma formiga que passava carregando um imenso grão de trigo.
"Deixe essa trabalheira de lado" - disse a cigarra - "e venha aproveitar este dia ensolarado de verão".

"Não posso. Preciso juntar provimentos para o Inverno" - disse a formiga - "e recomendo que você faça o mesmo".
"Eu, me preocupar com o inverno?" - perguntou a cigarra? "Temos comida de sobra por enquanto". Mas a formiga não se deixou levar pela conversa da cigarra e continuou o seu trabalho.
Quando o inverno chegou, a cigarra não tinha o que comer, enquanto as formigas contavam com o suprimento de alimentos que haviam guardado.
Morrendo de fome, a cigarra teve de bater à porta do formigueiro onde foi acolhida pelas formigas, e assim aprendeu sua lição.
Fábulas de Esopo

Fábula: O Corpo e os Membros

Certo dia, ocorreu aos membros do corpo que só eles trabalhavam enquanto a barriga sozinha recebia toda a comida.

Eles decidiram então fazer uma reunião, e, após longa discussão, resolveram entrar em greve até que a barriga concordasse em realizar uma parte do trabalho.

Durante alguns dias, as mãos se recusaram a pegar alimentos, e a boca se recusou a recebê-los.

Passado algum tempo, no entanto, os membros começaram a se sentir fracos.

As mãos não conseguiam se mexer, a boca murchou e as pernas nem eram capazes de se sustentar sobre os pés.


Assim, os membros descobriram que a barriga, a seu modo, realiza uma tarefa importante para o corpo, e que todos devem trabalhar juntos e fazer a sua parte para que o corpo possa funcionar.
Fábulas de Esopo